quarta-feira, 16 de junho de 2010

As nossas manhãs

Considero as nossas manhãs uma correria animada. As primeiras a acordar são as meninas e gostam sempre de ficar a preguiçar na nossa cama a beber biberon e a ver o Canal Panda. Normalmente peço-lhe para acordarem o irmão que é o mais dorminhoco, a Leonor costuma fazê-lo com gritos e cantorias enquanto que a Lúcia chama-o pelo nome e dá-lhe beijinhos, quando não tem resultados parte para o wrestling e desata a saltar em cima dele. Depois é o tradicional procurar de coisas que, misteriosamente, vi à noite mas que de manhã já não estão lá! Quando já está tudo pronto, faço a pergunta da praxe: "Quem vai chamar o elevador (sim, porque mesmo só para descer um andar eu preciso de elevador)!" As duas gritam "Eu, eu!!!" Se o Lucas não está muito ensonado também gosta de se meter na corrida, passando à frente das irmãs e deixando a Leonor desolada pois queria ser ela a desempenhar a importante tarefa. E com o acordar, vestir e levar, passam quase duas horas da minha manhã e eu fico de rastos, com as minhas - poucas - energias esgotadas nesta pequena correria matinal.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Gravidez

Estou em contagem decrescentissíma para o final da gravidez. Confesso que não deixará saudades: cansaço, cansaço e mais cansaço! Dores e dores e falta de mobilidade, tudo junto transformaram-me numa panela de pressão de mau humor quase constante, e com as hormonas a darem um ar da sua graça. Na próxima semana tenho a eco das 34 semanas e a consulta para marcar o parto, que há-de ser na 38º semana de gravidez. Espero que ele aguente até lá e eu também. Há dias em que não ando, arrasto-me, e só depois de muitas horas deitada é que me começo a sentir melhor, fisicamente, porque psicologicamente estou sempre a pensar que tinha tanta coisa que devia e podia (não podia mas pronto) estar a fazer...Eu devia, supostamente, estar numa onda de aproveitar ao máximo a gravidez, visto que será a última, mas nunca o consegui fazer e pelos vistos também não há-de ser desta.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

O mais crescido

O Lucas continua igual a ele próprio. Fã de tudo o que é desporto e acérrimo praticante de ténis, aliás agora temos de o arrancar dos treinos pois ele só quer mais e mais. Aos poucos já vai gostando muito de ver ténis na TV, mas vê de uma maneira diferente, não da forma como está a ser jogado o jogo, os pontos e isso, mas a forma como os tenistas executam as pancadas, as pegas, o serviço...ver um jogo na companhia dele parece que se está a ver um jogo com o comentador técnico da modalidade, sabe o nome de todas as pancadas, e ainda o tipo de jogo. Esta mudança deveu-se em grande parte ao facto dele ter ido ao Estoril Open, acho que isso ainda lhe despertou mais o bichinho. Num jogo do Frederico Gil um senhor já de uma certa idade que estava na bancada começou a falar com ele, se ele jogava? qual o jogador preferido? e a certa altura perguntou-lhe se um dia estaria ele ali naquele court a jogar, ao que o Lucas respondeu: Sim, daqui a 10 anos vou estar ali! Chamo-me Lucas B..., não se esqueça! O senhor disse que esperava viver até lá...

Bailarina Tenista

A Leonor anda dividida entre a sua paixão pela dança e a nossa paixão pelo ténis. Já sabe a coreografia toda do espectáculo no próximo dia 19 de Junho e sempre que pode lá anda ela a fazer as posições pela casa, no café, no restaurante e está sempre a perguntar se ainda falta muito para a exibição. Sim, porque timidez e medo do palco não é com ela, basta haver público (digamos uma pessoa) para ela depressa improvisar um show de canções e dança e teatro...sim, porque ela é muito teatral, quer na forma como fala quer nas expressões que utiliza.
Depois há o ténis...apesar de não ser uma miúda gorda, é muito bem constituída, alta, forte, resistente e atlética. Tem verdadeiramente corpo de desportista! O que lhe faz confusão é que ela é muito feminina e a imagem que tem do ténis é praticamente só de rapazes. Mas é uma miúda extremamente competitiva e quando vê as taças e medalhas do irmão diz que também quer ganhar taças e medalhas para ela. O pai diz-lhe que para isso tem de treinar e ela vai toda entusiasmada buscar a raqueta, mas ao fim de 5 minutos já se fartou, apesar disso já vai acertando umas bolas e acho que com o tempo e sem puxar muito por ela, vamos lá. No outro dia perguntava-me: mãe achas que posso ser uma bailarina tenista? Sim, e podes ser uma tenista bailarina também , não vês as saias delas que até são parecidas com as das bailarinas?

A papagaia

A figurinha mais nova cá de casa não se cala um segundo. Entre palavras compreensíveis e outras nem por isso, passa o tempo a tagarelar, a pedir coisas, a apontar objectos e a dizer os nomes, todas as figuras femininas são a mãe e todas as masculinas são o pai. O irmãos são o "Lucas" (houve uma altura que por pura diversão lhe chamava "Cucas") e a "Nô". Quando vem da escola para casa vem super atenta à espera de ver o "cocó", galo entenda-se (cocorócocó=abreviando cocó). Já pede para tirar a fralda para fazer "xixi" no bacio. Repete tudo o que os irmãos dizem e gosta muito da frase "ganhei, ganhei!". Mais do que dizer montes de coisas, já percebe tudo o que lhe dizemos, o que nos leva a grandes birras, em que para além de fazer um berreiro ainda nos manda calar e oferece "tau tau". Eu já esperava isto, prematura e 3ª filha o resultado não podia ser outro.

Bebecas

Tadinho deste bebecas. É de longe o que mais problemas me tem dado, mas por outro lado também não tenho sentido tanta ansiedade em relação ao bem estar dele como das vezes anteriores. Acho que é um questão mais de falta de tempo do que de outra coisa. Na morfológica tudo ok, na eco de controlo de peso estava no percentil 50/60 já com 1224 gramas às 29 semanas, praticamente o mesmo peso que tinha a irmã quando nasceu às 34. O médico já confirmou que nascerá na semana 38 e já só falta marcar o dia na próxima consulta daqui a duas semanas. Por um lado estou ansiosa para que passe rápido, a barriga está enorme, o peso é mais que muito e as consequências são umas dores terríveis e permanentes nas minhas pernas. Á noite dói-me tanto que me custa imenso adormecer. Desta vez irei bater todos os recordes de ganho de peso, visto que já estou à porta dos 80 e não prometo ficar abaixo. Isto de estar em casa e de mal puder andar já se imaginava, enfim não é algo que me assombre demasiado, acho que da última vez valeu o susto com a história do peso. Tenho montanhas de coisas para preparar, mas não estou muito stressada, afinal ele já é o quarto e eu tenho prática de improviso.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Problemas de mulheres...

Hoje a Leonor foi para a escola com um lindo totó vermelho, ligeiramente ao lado. O cabelo penteado, lisinho, com madeixas louras. Ia bem gira, isto às 9 da manhã. Quando a fui buscar às 4 e meia encontrei-a de chapéu, completamente desgrenhada, totó perdido, cabelo nos olhos...este tem sido um problema recorrente com ela, quando não tem ganchos ou totós o cabelo cai-lhe na frente dos olhos e ela fica com a vista torta, ou cai porque não vê nada à frente. Lá me decidi que de hoje não podia passar e fui com ela ao cabeleireiro cortar a franja e as pontos. Ela já tinha ido lá uma vez e até que tinha corrido bem. Chegámos lá e eu expliquei à senhora que queria franja e dois/três dedos no comprimento atrás. Lá lavou a cabeça e foi para a cadeira. A Lúcia que foi connosco começou a ficar impossível, só a querer ir ver os carrinhos e a loja de animais que havia lá no centro comercial. Como a Leonor até se estava a portar bem ia andando com a Lúcia e voltava para ver o andamento da coisa. Primeiro o escadeado à frente - tinha mesmo de ser porque a Leonor tinha dado uma tesourada à frente e essa era a única maneira de disfarçar- depois um pouco atrás, na altura pareceu-me muito, mas pensei que era para cortar por baixo para o cabelo ficar mais leve, quando volto a entrar está a mulher, não merece que lhe chame cabeleireira, a cortar a última parte atrás. Fiquei a olhar para a minha filha e para o cabelo dela no chão completamente em choque, contive-me pois não queria ter uma reacção absurda à frente dela, em que ela pudesse pensar que algo tinha corrido mal com o seu cabelo. Paguei, engoli em seco e saí. Cada vez que olhava para ela ficava estupefacta com a atrocidade feita: o cabelo curtissímo, com umas farripas maioreszitas, uma franja minúsculo, praticamente um corte de rapaz com umas manchas compridas...fiquei sem palavras. Só me apetecia chorar, aliás foi o que fiz quando contei à minha mãe ao telefone como ela estava, e é o que me apetece fazer quando vejo a sua imagem desta manhã e a imagem depois do corte...
Enfim, sei que parece um bocado absurdo, mas não consigo deixar de me sentir mal e culpada por ter deixado fazerem isso à minha filha debaixo do meu nariz, uma coisa perfeitamente controlável. Sinto-me impotente com um assunto tão banal como um corte de cabelo...claro que voltará a crescer, claro que ela continua linda à mesma, mas eu não consigo deixar de ter o meu coração apertadinho, o raio destas hormonas também não ajudam nada...e odeio sentir-me impotente, pois a única coisa que posso fazer agora é esperar...