sábado, 4 de agosto de 2012

Olímpicos

Acabo de ouvir a seguinte frase "Michael Phelps ganhou mais medalhas olímpicas do que 100 anos de desporto português" e se nos últimos dias tenho pensado imenso sobre o estado do desporto nacional esta frase e a que se seguiu "este homem sozinho..." ecoaram na minha cabeça.
Michael Phelps começou a nadar apenas aos 7 anos, foi criado pela sua mãe solteira, tem duas irmãs e sofria/sofre de hiperactividade. Começou a nadar exatamente para minimizar este síndroma e aprendeu primeiro a nadar costas pois tinha medo de pôr a cabeça debaixo de água. Sabe-se também que muito cedo decidiu que queria ser campeão de natação e que treina 6 horas por dia, 6 dias por semana, e que se o dia de treino coincide com o Natal não é motivo para deixar de treinar.
Hoje já tive vontade de treinar alguma coisa para ir aos próximos jogos Olímpicos! A dor de não ganharmos uma única medalha só se compara ou é ultrapassada por um sentimento de vergonha. Ao menos no desporto podíamos/devíamos não estar em crise. E o pior? Acho que é mesmo a sensação que não vai melhorar.
Moro num concelho onde existem piscinas de 25 metros, do melhor que existe no país, geridas pela Câmara em praticamente todas as freguesias. Aqui pode-se fazer natação e outros desportos 6 dias por semana por menos de 50€ por mês. Os alunos da escola fazem natação gratuitamente nessas piscinas. Apesar de tudo isto são raras as crianças que vão mais do que duas vezes por semana à natação (e não é pelo dinheiro porque estamos a falar de 10€ de diferença). Quando eu dizia que a Leonor ia todos os dias as pessoas olhavam-me estupefatas. Claro que levar uma criança todos os dias à natação dá imenso trabalho e ocupa muito tempo. Quando se leva duas ainda mais. Mas muitas vezes ia para a piscina com os quatro...(se calhar era por isso que estranhavam). Normalmente saio de lá mais cansada e encharcada do que eles.
O mesmo se passa com o ténis: custa levantar às seis para preparar o Lucas para o treino, custa fazer kms com a família toda atrás para ir a um torneio, custa lidar com as fitas da Leonor quando não lhe apetece treinar e nos dias mais cansativos e difíceis apetece desistir.
Mas o que é que não custa na vida? Não estou a dizer que os meus filhos têm ou vão ganhar uma medalha nos Jogos Olímpicos de 2024, mas o que é importante é que aprendam a lutar, a esforçarem-se...porque isso serve para tudo na vida.
Além disso, se quiserem mesmo seguir uma carreira desportiva, não será por se lembrarem disso aos 13 /14 anos que hão-de ir a algum lado. Não, temos de ser nós pais a puxar por eles. E o desporto não é só competição. É saúde, é disciplina, é relações humanas...é muita coisa. É um processo de aprendizagem duro mas que fica para sempre.
E a pena que eu tenho de não ter feito mais desporto quando era miúda!

segunda-feira, 23 de julho de 2012

2 Anos

E assim se passaram mais dois anos que mais parece que foram dois dias. Lembro-me da gravidez, do dia do nascimento, do susto que apanhei quando nasceste pois pensei que não te veria crescer. E agora aqui estás tu...e eu também. Estás crescido, és um fofo, um dengoso para a mamã, para o papá e para os manos. Aliás os nossos nomes são as palavras que dizes mais vezes ao dia. És muito sucinto e limitas-te apenas a dizer o essencial: a chamar por nós, a pedir comida e a pedir para ver os desenhos animados na "cana". Tirando estas coisas sabes contar até 10, não sei como aprendeste mas o certo é que te oiço muitas vezes: um, dos, tês, quato...!

Parabéns meu bebé, adoro-te infinitos!

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Momentos

A nossa mini-piscina!



A obra do mini-Picasso enquanto a mãe fazia o jantar (esta é uma pequena amostra, pois a parede das escadas ficou toda riscada)


Loucas são as noites...

...que passo sem dormir", mas as noites loucas da canção do Pedro Abrunhosa nada têm a ver com as minhas, that's for sure! A noite passada foi cheia de animação das 3 às 7 da manhã, com o Leonardo a vomitar a sua cama toda, depois banho, depois a nossa cama, depois o tapete do quarto, depois as almofadas, a nossa cama novamente. Isto tudo devidamente intervalado para que eu pensasse que ele já estava bem e pô-lo na cama acabadinha de ser mudada para 20 minutos depois estar tudo outra vez na mesma.
Entretanto acalmou e adormeceu. Felizmente nada que umas máquinas de roupa não resolvessem. Até agora o dia manteve-se "clean". Espero não estar a falar cedo demais.

Zona centro

Gostamos muito de ir a torneios à chamada "Zona Centro". Vamos muitas vezes a Leiria, Caldas da Rainha, Batalha e Porto de Mós.
No passado sábado, por engano nosso, fomos para o torneio em Porto de Mós no sábado quando os jogos eram apenas no domingo, grande distração.
Acabámos por ir dormir a Leiria, num hotel onde já somos conhecidos pois ficamos sempre lá quando vamos para ali.
No domingo o Lucas e a Leonor foram participar no torneio. O Lucas ficou em 1º no escalão laranja e verde e a Leonor em 4º no vermelho.
Os pequenos divertiram-se imenso nos montes de terra que havia ali ao lado: brincaram às casinhas, às escondidas, às explorações, a escorregar dos montes, o Leonardo até brincou aos aborígenes, pois a dada altura apareceu coberto de terra com a cara completamente branca da terra. E tudo isto com o magnífico cenário por trás de nós:

Férias...em casa

Aqui estou eu com os 4 Ls de férias em casa. Como vivemos ao pé da praia (e às vezes até vamos mesmo a pé) não sentimos necessidade de fazer kms para ir para a praia. O problema é o clima disto: desde que está tudo em casa não houve um único dia decente para se ir à praia, ora vento, ora frio.
Portanto vamos ficando aqui. De vez em quando lá vão cinco minutos à piscina. De manhã os mais velhos treinam. A Leonor e o Lucas fazem atividades dos livros de férias. Os pequenotes brincam e veem tv. Ontem fomos um bocadinho ao jardim ao pé do Convento com a avó e é esperar por dias melhores.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Ser mãe é cortar as asas?

A Lúcia estava a andar deitada de barriga no baloiço do jardim com o Lucas a empurrá-la, e disse: "Mãe parece que estou a voar!!!", com um sorriso do tamanho do mundo. E eu, prontamente, disse: "Vê lá se não cais!".
Logo ali pensei no que tinha acabado de dizer e deixei-a continuar a andar no baloiço. Sim, se calhar até vai cair, mas não será assim sempre? Como pais queremos que os nossos filhos não caiam, que não se magoem, mas até onde deve ir essa proteção e quando é que não deixamos viver, experimentar, "voar"?
Ser pai é arriscar. Arriscar sofrer quando os nossos filhos se magoam e consolá-los. Se podemos ou devemos afastá-los de todos os perigos? Penso que não. Acho que um pai deve guiar, aconselhar, mas não impedir só porque existe um risco.
Ser pai e ser filho, são ambas profissões de risco.